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Sophia de Assis tem 24 anos e é jornalista há pouco mais de dois. Trabalha como repórter de um jornal impresso e ama o que faz. Adora literatura, música, cinema e poesia. É muito ligada à família e aos amigos. Nas horas vagas, refugia-se neste blog, no qual pode fazer o que mais ama: escrever sem limites.



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Quarta-feira, Junho 28, 2006

Viciada no impossível

Sabe, eu gosto muito da vida que tenho. Gosto de onde moro, dos meus amigos, da minha rotina, dos lugares que freqüento, da minha Igreja... gosto até do meu local de trabalho, apesar dos problemas e das pessoas. Porém, nos últimos dias, tenho sentido falta de você. É, de você mesmo, que eu ainda não conheço, não sei o nome, o rosto, o sorriso ou o timbre de voz. Você por quem eu orei uma vida inteira, mas que não aparece.
Às vezes, penso que você não chega porque eu não sei cozinhar ou porque eu tenho um dente torto na frente. Só pode ser porque todo mundo me diz que sou bonita, inteligente e tal... mas sempre estou sozinha. Não sei o que tenho que fazer para agradar você, para você me ver. Cansei de fazer as coisas que eu detesto para ver se você me via, mas nada acontece. Nada acontece na minha vida em termos de amor.
Muita gente me fala que o problema não sou eu... um outro tanto de gente me fala que o problema é justamente eu. Então, sinceramente, não sei onde está o problema. Você fica aí perdido, me procurando, e eu fico aqui perdita esperando você aparecer, passeando por ruas estranhas e de nomes que eu ignoro.
Antes de me conformar com sua ausência, eu sonhava muito com você. Pensava que seria bom que você fosse advogado e tivesse que trabalhar de terno todos os dias. Seria bom também se você soubesse dançar, para eu realizar o sonho de dançar coladinha com você na nossa noite de núpcias. Talvez você gostasse de ver o pôr do sol, de ir ao cinema, de tomar sorvete e de comer Mc Donalds.
Mas você não existe, não é? Você não existe e esqueceram de me contar. Daí, eu fico assim, sentindo sua falta, pensando que talvez eu esteja enganada a seu repeito e que um dia, quando eu menos esperar, você vai tocar a campainha da minha casa com flores nos braços e me pedir para ficar do seu lado para sempre.

"Um dia posso até pagar por isso
O impossível é o meu mais antigo vício
Ou então, um delírio do meu coração
Que vê as coisas aonde as coisas não estão"
(de Herbert Vianna - para Marcelo Yuka)


Anotações de Sophia | 6:29 PM | Notas de Rodapé:
Terça-feira, Junho 27, 2006
Abaixo à mesquinhez: desculpe, mas eu sou feliz!!!

Tem gente que só pensa em dinheiro - Está certo. Todo mundo pensa em dinheiro, mas a própria Bíblia é clara quando fala a respeito de servir a dois senhores: ou se serve a Deus ou se serve ao dinheiro. Pensar em dinheiro não é o mal, mas o SÓ PENSAR EM DINHEIRO. Existem pessoas que passam a vida desejando, lutando, sonhando em ter dinheiro. Isso faz com que elas sejam eternamente insatisfeitas com a vida que têm e as transforma também nas vilãs das histórias.

Tem gente que só pensa em comida - Comer é importante e isto é indiscutível. Mas acho tão pequeno isso de comer como se fosse a última vez na vida em que se come. Afinal de contas, se eu estiver viva amanhã, é fato que comerei novamente. Caso seja um prato especial, algo raro de se ver, posso não comer amanhã, mas um dia voltarei a comer. Não é necessário comer como se as coisas fossem sair correndo da mesa e como se a pessoa não comer, nunca mais fará nada na vida. É nojento. E é gula, que também é pecado.

Tem gente que só pensa em sexo - Mais uma vez: eu sei, todo mundo pensa em sexo. O problema aqui não é pensar simplesmente, é quando isso foge do controle e a pessoa fica doente. E as doenças escravizam as pessoas, fazem com que elas dediquem mais tempo à sua paranóia do que simplesmente a coisas edificantes. O equilíbrio é tão bom, não entendo como ainda tem gente que não enxerga isso.

Tem gente que só pensa em levar vantagem em tudo - Isso para mim é o pior. Porque essa mania de levar vantagem em tudo é cínica, é baixa e é vazia. Normalmente, este tipo de gente não conhece o que é uma amizade sincera e despretenciosa. Não sabe o que é contar de fato com as pessoas porque de todo mundo com quem este tipo de gente se relaciona espera-se algo em troca. Além disto, é comum a cobrança de favores e "jogar na cara" do outro isto ou aquilo que este tipo de gente fez um dia por ele, pensando em levar vantagem. Existem pessoas que pensam tanto em levar vantagem que sacrificam a felicidade dos próprios filhos, exigindo que eles se relacionem somente com pessoas ricas, que têm dinheiro para comprar comida, e fazem isto por meio do sexo.

Chato é quando a gente encontra em uma única pessoa todas estas características. Fica difícil entender uma série de coisas. Eu, por exemplo, me chateio muito com isso e não concordo que eu seja obrigada a conviver com este tipo de gente. Gente que conversa com você como se nada estivesse acontecendo, mas por trás queima seu filme com todos que você conhece. Gente que toma a iniciativa de excluir seu nome da lista de amigos do orkut, mas nem sequer explica os motivos, até porque estas mesmas pessoas, quando precisavam de você para ajudá-las com trabalhos de escola e tudo o mais, não pensavam que você era o pior ser humano do mundo, uma "praga" que precisa ser eliminada. Gente que tem inveja porque você se relaciona bem com todas as pessoas, inclusive as difíceis, e passam a inventar uma série de coisas ao seu respeito. Gente que tem o mesmo discurso decorado, que é doente porque não suporta a vida, que tem alergia de viver. Gente que me chateia, mas também só me faz ter mais certeza de que sou melhor do que tudo isso: desculpa, mas eu sou livre!!! A minha cabeça não é pequena, minhas idéias não são limitadas e, sim... EU SOU FELIZ!!!
Sou feliz porque não fico desprezando a Deus, porque O amo acima de todas as coisas e porque Ele já me ensinou a viver contente em todas as situações, contente com o que eu tenho, seja muito ou pouco. Sou feliz porque sou livre dessas coisinhas que incomodam este tipo de gente, estes que têm alergia da vida. Mas, principalmente, sou feliz porque tenho amigos verdadeiros, que não se relacionam comigo pelo que podem receber de mim, mas simplesmente porque GOSTAM de mim...


Anotações de Sophia | 4:57 PM | Notas de Rodapé:
Sexta-feira, Junho 16, 2006
Overdose de futebol

Depois de vários e vários e vários e vários anos, finalmente eu me sento para assistir a um jogo de futebol. Confesso que muito mais pelo fato de estar na casa dos meus tios do que por real interesse no assunto. Está certo que meus pais já se cansaram de insistir comigo para que eu assistisse aos jogos do Brasil e eu nunca conseguia ver, mas desta vez eu fui corajosamente para a frente da televisão para conferir a estréia da seleção.
O mais interessante da tarde foi a pipoca. O jogo me deixou nervosa... ninguém fazia gol e nem se falou no nome do Ronaldo Fenômeno. De vez em quando, eu tinha que perguntar ao meu tio quem era aquele jogador que aparecia na tela, que eu nunca tinha visto mais gordo (ops! gordo é o Ronaldo)... Acho que eu conhecia só uns três ou quatro jogadores. O resto era tudo novidade pra mim... inclusive o Kaká, que eu só conhecia de ouvir falar e de ver nos programas de fofoca na televisão, e o Robinho, sobre quem eu só conhecia a expressão "pedala" (que, aliás, ainda não sei o que significa).
Admito que gostei de ver o jogo... É que eu tinha uma idéia de que não entendia nada sobre futebol, mas parece que eu já nasci sabendo... aliás, todo brasileiro já nasce sabendo essas coisas, né? Passe, drible, carrinho, falta, pênalti, impedimento... são as primeiras palavras que uma criança fala no Brasil hoje. Sei que futebol é a grande paixão do país, que parou completamente no dia da estréia da seleção na Copa da Alemanha.
Mas chega, né??? Eu já não suporto mais ligar a televisão e só ver futebol, futebol, futebol... hoje, quando fui almoçar, no restaurante as televisões estavam ligadas no jogo da Argentina!!! Estou com overdose de futebol! Se continuar assim, acho que não consigo assitir a mais nenhum jogo... Hahahaha...


Anotações de Sophia | 5:22 PM | Notas de Rodapé:
Quinta-feira, Junho 08, 2006
"Envelhecer é fato, não dá pra fugir" (Zélia Duncan)

Mensagens
Telefonemas
Cartões
E-mails
Abraços
Comemorações
Páginas de recados no orkut
Presentes
Lazer
Bolo
Parabéns a você
Com quem será (também quero saber)
Mais abraços
Mais telefonemas
Mais mensagens
Mais presentes
E uma noite de sono tranqüila...
Agora sim, chegaram meus 24 anos...


Ah, e o Páginas de Sophia completa três aninhos...


Anotações de Sophia | 3:02 PM | Notas de Rodapé:
Terça-feira, Junho 06, 2006
Estou na fase de ouvir músicas exaustivamente para decorá-las, como se algum dia eu realmente fosse cantá-las em público... nem no banheiro eu tenho arriscado algumas notas, de tão cansada que tenho chegado em casa... A minha mais recente música predileta é esta aí...
Ah, e só para não deixar passar batido, hoje é 06/06/06... dizem que este é o número da besta porque é uma dízima imperfeita, que nunca chegará a ser 7, que é o número da perfeição... e é meu número predileto também, afinal eu nasci em um dia 7, que por coincidência é amanhã...

Vou Tirar Você do Dicionário
Itamar Assumpção e Alice Ruiz

Eu vou tirar do dicionário
A palavra você
Vou trocar-lá em miúdos
Mudar meu vocabulário
e no seu lugar
vou colocar outro absurdo

Eu vou tirar suas impressões digitais
da minha pele
Tirar seu cheiro
dos meus lençóis
O seu rosto do meu gosto

Eu vou tirar você de letra
nem que tenha que inventar
outra gramática
Eu vou tirar você de mim
Assim que descobrir
com quantos "nãos" se faz um sim

Eu vou tirar o sentimento
do meu pensamento
sua imagem e semelhança
Vou parar o movimento
a qualquer momento
Procurar outra lembrança

Eu vou tirar, vou limar de vez sua voz
dos meus ouvidos
Eu vou tirar você e eu de nós
o dito pelo não tido
Eu vou tirar você de letra
nem que tenha que inventar
outra gramática
Eu vou tirar você de mim
Assim que descobrir
com quantos "nãos" se faz um sim

"Tudo que você disser
deve fazer bem
Nada que você comer
deve fazer mal"
"Eu quero as mulheres
que dizem sim
E quem não tem vergonha
de ser assim?"


Anotações de Sophia | 5:49 PM | Notas de Rodapé:
Sábado, Junho 03, 2006
O jornalista e as fontes

Eu acordei hoje pensando em escrever alguma coisa inteligente neste blog, mas os acontecimentos do dia de fizeram ter vontade de escrever coisas emocionais. Está certo que não deixam de ser racionais, porque estão ligadas ao meu lado profissional, mas são totalmente sentimentais para mim.
Porque, como jornalista, não existe nada melhor do que o reconhecimento de uma fonte. Ainda mais se for uma de suas melhores fontes, que possui notável expressão dentro do cenário político e econômico da cidade que você mais ama no planeta e que conta com um privilegiadíssimo cérebro.
Ontem, quando eu apurava uma matéria, uma dessas fontes conversou comigo ao telefone. Isso só acontece mesmo quando as fontes têm uma relação de confiança com o repórter porque a credibilidade da imprensa em geral não anda lá essas coisas... Terminando a conversa, ele falou com todas as letras: "você é uma ótima jornalista e eu confio em você".
Isto é fundamental quando se trata de off jornalístico. Eu me emocionei com a confiança, porque já tivemos outras experiências anteriores, através das quais eu pude solidificar minha credibilidade, não somente com esta fonte, mas também com outras. Hoje, conversando com outra fonte, eu me emocionei novamente quando ela ressaltou que o trabalho que tenho feito é ético.
Eu sei que tenho inúmeras falhas como repórter, mas tenho me esforçado bastante para manter um comprometimento com a verdade da informação, driblando uma série de dificuldades que aparecem no caminho. Por mais espinhoso que seja o assunto abordado, minhas fontes estarão à vontade para falar comigo, sabendo que haverá respeito pelo off e pela credibilidade que esta mesma fonte terá diante do público.
Porque o público é o grande alvo da informação. E é importante que a relação do repórter com a fonte não prejudique a notícia que chegará até as pessoas, que precisa ser honesta e transparente. É idealismo? Pode ser... mas foi a fidelidade de uma fonte que ajudou Bob Woodward e Carl Bernstein a traçar a linha de investigação que levou à renúncia de Richard Nixon. Não dá para deixar de se orgulhar disso.


Anotações de Sophia | 12:56 PM | Notas de Rodapé:

"Até que Deus revele o futuro dos homens,
toda sabedoria humana estará concentrada em duas palavras: ter fé e esperar"

Edmund Dantés - O Conde de Monte Cristo (Alexandre Dumas)

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