Sophia vive em algum lugar entre a fronteira do deserto do real com o mundo imaginário, lá onde passa o trem, perto da pracinha do caminho amarelo, que leva até a casa de chocolates que pertenceu à bruxa má, mas que hoje serve como pouso para seu amigo Manuel, cidadão pasargadense. Pasárgada é um lugarejo perdido no mapa, próximo ao País das Maravilhas e fazendo fronteira com Nárnia. Lugar que ficou isento do domínio das mentes pelas máquinas após o advento da inteligência artificial. Lá vive-se na corte e de música, recitando poesias e brincando de prazeres. Nos intervalos da loucura, Sophia volta para Governador Valadares, onde trabalha como jornalista e admira a enorme Pedra Negra a observar o Rio Doce em seu curso, e que, como na filosofia, cada dia é um rio.
"Quando, velhinha, a estas páginas fanadas, / Ela vier indagar das coisas encantadas / Que o futuro lhe diz, / Queira então o Amor que a fecunda lembrança / Dessa viagem feliz / Seja doce de ver como um céu em bonança!"
(Honoré de Balzac - As ilusões perdidas)
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Sábado, Setembro 23, 2006
Apenas mais uma de amor
Amiga, o amor também não é algo fácil para mim, talvez por isso eu não seja uma boa amiga na hora de dar conselhos a este respeito. Ele é estranho... primeiro ele faz bem, depois ele faz mal e no meio de tudo, torna-nos dependetes dele. Nós mulheres precisamos do amor como precisamos de nós mesmas... ou como a gente precisa de Deus, que também é amor.
Parece difícil de entender, mas garanto que não é mais fácil explicar. Pode ser que estejamos passando por essas coisas porque quem não tem um amor não correspondido não tem muito o que contar. Ou talvez a vida nos queira sofrendo por homens inatingíveis. Por que eles precisam ser tão bons? Por que eles precisam ser tão bonitos (ainda que só a gente os veja assim)? Por que eles têm que ser tão inteligentes, tão competentes, tão interessantes? Não sei...
E quanto a nós? Será que não nos basta também o ser inteligente? Também temos que ser belas e perfeitas o tempo todo para que nossos homens impossíveis se interessem por nós? Até quando precisaremos sofrer com nossas estrias novas e com aquela gordurinha indesejada? Se ao menos eles pudessem nos contar onde erramos ou que é preciso fazer para tê-los ao nosso lado... mas não... o silêncio deles nos mata, nos faz sofrer. Não conheço nada pior do que ser ignorada por quem a gente ama.
Às vezes eu gostaria muito de pular na frente dele com roupas bem coloridas, ou com aquela blusa brilhante que eu nunca uso... talvez assim eu me fizesse notar. Meu maior medo é o de que ele nunca veja, não importando os esforços que eu faça nesse sentido. Eu sei que este não é bem o seu caso, não é bem sua história... mas o amor acaba nos unindo num mesmo sofrimento... Eu não sei... eu não sei de nada... acho que nunca vou entender com que lógica funciona o amor, se é que ele tem lógica. Eu só sei o que sinto... ou nem isso...
Anotações de Sophia | 8:46 PM | Notas de Rodapé:
Quinta-feira, Setembro 21, 2006
Sereníssima: "você mudou de idéia"
É como se, de repente, tudo parasse de funcionar. A vida começa a ter um outro sentido e os sonhos, os objetivos... tudo isso muda inesperadamente. Tudo em que você se concentrou durante a eternidade que parece sua vida neste momento assume pequenos papéis. Porque, até então, tudo o que você enxergava com lentes de aumento é exatamente o que você agora vê turvo. Essas coisas sempre acontecem quando há uma ideologia por trás. É comum pessoas idealizarem pessoas que nunca vão corresponder exatamente a essas expectativas. Alguém me disse uma vez que é daí que surgem as depressões: da insatisfação com anseios não correspondidos.
Tudo bem... "tinha que ser dor e dor esse processo de crescer", já disse o profeta Leminski. Porém, não é só dor. Tirei este tempo para um balanço, para pensar sobre mim, meus complexos, meus sonhos, meus desejos... tudo está mudando aos poucos. Mudando porque tudo o que eu queria antes agora ficou pequeno. E o que eu passei a querer a partir de agora, parece inatingível! E mudou também a forma de querer... antes, eu poderia me contentar com qualquer desfecho... hoje, tudo o que eu quero, quero com mais intensidade. Deve ser sobre envelhecer, ou sobre ver o tempo passando e sentir que é preciso fazer alguma coisa enquanto ainda é possível perceber este tempo. Porque depois, a tendência é mesmo que fique tudo turvo... ou melhor, impressionista, como diria minha amiga.
E é porque hoje eu sei que quero tudo com mais intensidade, que sei também o que eu não quero na mesma proporção. Penso que ficou mais difícil tolerar as coisas pequenas e também aquilo que eu não gosto. Disseram-me uma vez que aquilo que eu não gosto, eu não suporto. E talvez esta tenha sido a afirmação mais verdadeira que alguém já fez a meu respeito. E algo insuportável neste momento é a idéia de mudança... É que eu só queria deixar tudo igual por um tempo... depois, eu vejo o que fazer...
"O que eu quero nem sempre eu preciso, mas dê um sorriso quando me entender"
(Herbert Vianna)
Anotações de Sophia | 11:35 PM | Notas de Rodapé:
Sexta-feira, Setembro 15, 2006
O Chamado
Marina Lima / Giovanni Bizzotto
Vou seguir
O chamado
E onde é que vai dar, e onde é que vai dar
Não sei
Arriscar ser
Derrotado
Por mentiras que vão, mentiras que vêm
Punir
Um coração cansado de sofrer
E de amar até o fim...
Acho que vou desistir
Céu abriga
O recado
Pra eu me guardar, mudanças estão por vir
Esperar ser
Proclamado
O grande final, o grande final feliz
Que tal aquele brinde que faltou?
Será que teria sido assim...
Acho que vou resistir
Anotações de Sophia | 12:50 PM | Notas de Rodapé:
Terça-feira, Setembro 12, 2006
De férias em Pasárgada, pode-se fazer qualquer coisa... no momento, além de ficar a toa, me dedico a assistir aos episódios da primeira e segunda temporada de Lost!!!
Anotações de Sophia | 10:54 AM | Notas de Rodapé:
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"Até que Deus revele o futuro dos homens, toda sabedoria humana estará concentrada em duas palavras:
ter fé e esperar"
Edmund Dantés - O Conde de Monte Cristo (Alexandre Dumas)
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